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Santo Fanatismo!

Leia em PDF domingo, 12 de janeiro de 2014

Jovens rezam o terço e interrompem cerimônia inter-religiosa na Catedral de Buenos Aires. Papa Francisco lamenta “fanatismo”.

Um grupo de jovens católicos argentinos, formado principalmente por fiéis da Fraternidade São Pio X, repetiu o ato ocorrido em 2010 na Catedral de Paris e interrompeu, no último dia 12, uma liturgia inter-religiosa entre católicos e judeus na Catedral Buenos Aires. A cerimônia recordava a Kristallnacht e ocorre há mais de uma década na capital argentina, sendo, até o ano passado, organizada sob o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio. As informações são de Página Católica - tradução de Fratres in Unum.com: 
Anúncio da cerimônia de 2012.


Quando o padre Fernando Gianetti, guru e executor há quinze anos do projeto que agora chega ao seu cume, dirigia as palavras de início da liturgia comemorativa da Kristallnacht, começou-se a ouvir suave, mas firmemente, o desfiar das contas do Santo Rosário nas vozes de cinquenta jovens situados na parte central da Catedral da Santíssima Trindade.

Dois quase garotos se dirigiram até o presbitério, onde oito líderes religiosos (dois a mais do que no ano passado), estavam de pé, à direita e à esquerda do arcebispo de Buenos Aires, D. Mario Aurelio Poli.
Após fazer uma genuflexão, um deles deles lhe entregou um papel e ambos fizeram que o mesmo chegasse aos demais.

Os gestos de agradável surpresa que ao receber o escrito tomavam as faces, foram se transformando em sorriso nervoso na medida que o sentido da visão informava ao cérebro o conteúdo da missiva. 

OU ADORAMOS AO DEUS VERDADEIRO OU ADORAMOS A FALSOS DEUSES..
FORA DO TEMPLO SANTO ADORADORES DE DEUSES FALSOS...

SE ENTRAM NO TEMPLO DE DEUS VIVO E PRESENTE DOBREM SEUS JOELHOS, ABANDONEM A SUA IDOLATRIA E ADOREM AO DEUS VERDADEIRO.

OS PASTORES QUE LEVAM OS HOMENS A CONFUNDIR O DEUS VERDADEIRO COM DEUSES FALSOS SÃO LOBOS, PORQUE PRECIPITAM AS ALMAS AO CASTIGO ETERNO. 

DEUS SERÁ UM SEVERO JUIZ PARA ESTES DEVORADORES DA INOCÊNCIA.

E VÓS QUE ASSISTIS A ESTE ATO DE PROFANAÇÃO, REZAI O ROSÁRIO EM DESAGRAVO E RESISTI.

QUE NÃO VOS ENGANEM. PORQUE HAVEREIS DE RENDER CONTAS AO DEUS UNO E TRINO, AO FILHO DA IMACULADA.

Nesse instante, uma pessoa subiu ao presbitério e, colocando-se próximo aos microfones, dirigiu a seguinte mensagem:
“Pedimos a todos, por favor, que tenham em consideração que este é um tempo católico e que este é um ato de profanação que deve ser evitado. Não temos problemas com as recordações históricas que se realizam em locais históricos. No templo santo de Deus, onde vive o Santíssimo, não pode haver uma profanação; e os que conhecem (aqui o microfone foi cortado) as religiões sabem que as profanações ofendem o mundo e a Deus… Diante do Nazareno e diante do Crucificado. Vão [embora] e acabem com esta profanação. Não é possível. Rezem o rosário e honrem a Deus”.

O arcebispo pediu, através do padre Gianetti, que os jovens que estavam rezando o Rosário se retirassem. O que gerou um aplauso, a partir do qual o ruído intenso se instalou dentro da catedral e que durou quase meia hora. Era o ruído das repreensões e diatribes dirigidas aos jovens que rezavam sem revidar.

Algumas pessoas encostavam nos jovens orantes, alguns para tentar convencê-los a ceder em seu empenho, outros para insultá-los com os mais duros epítetos: loucos, fundamentalistas, reacionários, nazistas.

Outro chegando à agressão física, como um devoto de quipá que hostilizou longamente pelas costas a um dos sacerdotes que acompanhavam o grupo:
Mas pareceu particularmente surpreendente o furor demonstrado pelo deputado Eduardo Amadeo, que dizem ser pertencente à Comunidade de Santo Egídio, que realizou atos que podem ser considerados intimidatórios, como tirar repetidas fotografias a poucos centímetros de cada rosto, gritar com uma criança, ao mais caro estilo dos serviços de inteligência: “De que colégio são, de que colégio são?”, ou gritar a alguns adolescentes: “Miseráveis nazistas”. Como é possível que um homem que ocupa tão elevado cargo chegue a esse extremo?
[...]

Pois é necessário advertir aqui que os convidados, tanto cristãos dissidentes como judeus, caíram sem querer no meio de uma discussão interna da Igreja. Debate tão intenso e agudo que está chegando à configuração de dois “partidos”, com doutrinas e liturgias diferentes, que são cada vez mais estranhos um ao outro. Um é o da Igreja das promessas, e outro é o da “igreja” da publicidade, como as chamou há muitos anos o padre Meinvielle, mestre do atual arcebispo de Buenos Aires.

Uma acredita, como acreditou invariavelmente desde o início, que o único caminho de salvação é o Batismo; pois o mesmo Mestre o ensinou infalivelmente: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todos os homens. Quem crer e for batizado será salvo, quem não crer se condenará” (Mt: 16, 15).

Apesar destas palavras, contra as quais nada há a fazer, e do dogma antes referido, “fora da Igreja não há salvação”, a igreja da publicidade desenvolveu nos fatos a doutrina não escrita das múltiplas vias de salvação. Cada um se salva em sua religião e ainda, por que não, sem crer em Deus. O que é absolutamente condenado pela doutrina católica.

Os convidados do Arcebispo de Buenos Aires mereciam ser recebidos com respeito e cordialidade; mas o erro consistiu em convidá-los para a realização de uma liturgia acatólica, que de modo algum pode ser celebrada em uma Igreja, a não ser que pertença… à igreja da publicidade.

É certo que um judeu ortodoxo compreenderia muito bem que um católico não aceite uma liturgia inter-religiosa, pois ele tampouco a aceitaria. Mas a maioria dos convidados do sr. Arcebispo pertenciam ao reformismo judeu, que pensa diferente.

Seria conveniente desculpar-se junto a eles pelo mal pedaço, tentando fazer-lhes compreender que, in extremis, o respeito aos direitos de Deus está acima dos respeitos humanos.Continuando a nossa crônica, os jovens da Catedral terminaram o Santo Rosário, apesar da pressão ao seu redor, e depois, se retiraram por iniciativa própria, e não pela força policial, como disseram alguns meios.

Ocorreu inclusive o milagre de que o Pe. Gianetti, pedindo a paz aos presentes desde o ambão da catedral, rezasse algumas Ave Marias no microfone, o que não estava previsto na Liturgia de Comemoração.

Esta liturgia, já o dissemos, é evidentemente religiosa, com o acréscimo de que nela subjaz a idéia herética de que o holocausto pode ser equiparado ao Sacrifício da Cruz, um para a salvação dos judeus e outro para a dos cristãos; por isso alguns pensadores a chamam de heresia Judaico-Cristã.

Idéia que se evidencia na análise dos textos empregados, mas que nem todos podem captar. Não nos equivocaríamos demais se pensássemos que a maioria das pessoas que estavam na Catedral não são conscientes desta realidade, que torna totalmente inaceitável essa realização litúrgica no lugar santo.

Ao retomar a cerimônia, após a oração do Rosário rebelde, o Arcebispo de Buenos Aires disse que a celebração da liturgia “é o que quer o Papa”. 

Em declarações divulgadas hoje pelo diário argentino La Nacion, Claudio Epelman, diretor executivo do Congresso Judeu Latino-americano, relatou as palavras do Papa Francisco em encontro do qual participou, ontem, no Vaticano, juntamente com líderes das principais religiões na América Latina. Segundo Epelman, o Papa ”citou o ocorrido na Catedral como um ato de fanatismo. Disse que a agressão não pode ser um ato de fé e que a pregação da intolerância é uma forma de militância que deve ser desterrada”. O líder judeu contou que, após a apresentação de cada um, “o Papa tomou a palavra e se referiu à importância do trabalho inter-religioso e logo ao fundamentalismo religioso, e recordou o episódio da Catedral Metropolitana”. E relatou as seguintes palavras do Papa: “A única coisa com que devemos ser intolerantes é com a cultura do paganismo em termos de modernidade”, e citou o valor que se dá ao dinheiro. Esteve presente também no encontro o Cardeal brasileiro Dom Raymundo Damasceno Assis.

3 comentários:

Carlos Antonio disse...

Jesus nos mandou orar ao pai e não usar de vãs repetições como os gentios MT 6:7-8 em toda biblia se VC observá verá que os verdadeiros homens de Deus não ficavam repetindo as mesmas orações decoradas eles oravam a Deus sempre com aquilo que estava no seu coração através da oração nos conversamos com Deus e temos mais intimidade com ele porém um rosario não passa de um ritual religioso que contraria os ensinamentos de Cristo mt6:7-8 desobedecer Jesus e obedecer uma religião desviada não é uma boa ideia pois a lei de Deus está acima da lei dos homens

Marcelo disse...

Carlos Antônio, pelo visto, vc não entendeu nada do artigo...releia umas dez vezes e talvez compreenda alguma coisa, saindo assim da mesquinhez religiosa...penso, que vc nem mesmo sabe o conteúdo do rosário, muito menos entende o seu significado... Mas, não quero gerar aqui outro conflito inter- religioso. Aconselho no entanto que não se detenha a mesquinhez de um interpretação doutrinal que certamente lhe foi passada por algum " pastor " anticatólico... Deus santo, Deus forte, Deus imortal, tende Piedade de nós e do mundo inteiro...

Marcelo disse...

Carlos Antônio, pelo visto, vc não entendeu nada do artigo...releia umas dez vezes e talvez compreenda alguma coisa, saindo assim da mesquinhez religiosa...penso, que vc nem mesmo sabe o conteúdo do rosário, muito menos entende o seu significado... Mas, não quero gerar aqui outro conflito inter- religioso. Aconselho no entanto que não se detenha a mesquinhez de um interpretação doutrinal que certamente lhe foi passada por algum " pastor " anticatólico... Deus santo, Deus forte, Deus imortal, tende Piedade de nós e do mundo inteiro...

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